Facebook dá R$ 80 mil a brasileiro por achar falha, maior recompensa já paga

Rede social tem programa que premia usuários que reportam bugs.
Brecha poderia permitir invasão de servidor e leitura de arquivos.

Um engenheiro brasileiro ganhou US$ 33,5 mil (cerca de R$ 79,2 mil) por encontrar um meio de "hackear" o Facebook e reportá-lo ao site. Esse foi o maior pagamento feito pela rede social desde que ela começou em 2011 a premiar usuários que avisam sobre bugs no Facebook.
A falha descoberta por Reginaldo Silva permitia que arquivos do servidor do Facebook fossem lidos e, em sequência, a partir de outra vulnerabilidade, que códigos fossem executados no servidor.
Se usada por um hacker, a brecha poderia ter permitido a obtenção do controle do servidor, violando o código fonte da rede social e possivelmente as informações dos usuários armazenadas no banco de dados do Facebook, que não é disponibilizado publicamente.
O problema identificado por Silva estava no código responsável pela integração do Facebook com o OpenID, um padrão de internet que permite que a senha do Google, por exemplo, seja usada para fazer log-in em outros sites. Como o OpenID é normatizado, qualquer fornecedor de serviços de internet pode criar seu próprio serviço de OpenID, permitindo que a conta do seu site seja usada em outros endereços compatíveis com OpenID. Dessa maneira, usuários não precisariam se cadastrar em cada site visitado.
O Facebook exige uma conta própria, mas na função "esqueci minha senha" ainda é possível usar o OpenID. A partir da rede social, um usuário pode fazer log-in em uma conta do Google e confirmar que um endereço do Gmail pertence a ele, iniciando assim o procedimento de recuperação da senha.
Silva já havia encontrado em 2012 uma vulnerabilidade que atingia diversos códigos usados para tornar um site compatível com OpenID. A brecha consiste em convencer o endereço a se conectar a um servidor OpenID controlado pelo invasor. Esse servidor malicioso pode, então, enviar comandos para ler arquivos que existem no servidor do site.
Em uma página contando sua história (leia aqui, em inglês), Silva conta que teve dificuldades para descobrir de que forma o código de OpenID do Facebook poderia ser manipulado para convencer o site a se conectar a um prestador de OpenID controlado por ele. Eventualmente, o especialista encontrou uma maneira e, com isso, conseguiu ler o arquivo do servidor do Facebook onde as senhas do computador ficavam armazenadas.
Silva acreditava que a falha poderia ser usada em conjunto com outra brecha em uma invasão completa do servidor. Considerando a gravidade do problema, ele imediatamente entrou em contato com o Facebook com a intenção de continuar seus testes posteriormente. No entanto, a resposta da rede social foi imediata: três horas e meia depois, a falha estava corrigida.
O brasileiro então explicou sua teoria de ataque aos engenheiros do Facebook, que confirmaram a validade da mesma. Com isso, Silva foi pago por uma brecha de "execução remota de código". Em outras palavras, a invasão do sistema.
"Sabíamos que queríamos pagar bastante, então fizemos uma média com [valores recomendados] por um grupo dos administradores do programa [de recompensa por falhas]", explicou o Facebook em uma publicação sobre o valor pago a Silva.


Fonte: G1.com

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